Introdução
O M17(que uma galera também chama de M17 Pro) é um game portátil retrô que virou queridinho de oferta em Shopee, AliExpress e Mercado Livre, vendido por várias marcas diferentes (BOYHOM, SJGAM, SAMIQU, entre outras) com a mesma carcaça e o mesmo chip por dentro. A proposta dele é simples: por pouco dinheiro, você leva um aparelho de 4,3 polegadas no formato horizontal, parecido com um Switch Lite pequeno, cheio de jogos clássicos pré-instalados.
O ponto é que esse aparelho tem uma distância grande entre o que o anúncio diz e o que ele realmente faz. Comprei pra testar a fundo, e a ideia aqui é separar o marketing da realidade, pra você não cair em promessa de ficha técnica inflada.

Vale a pena?
Vale, desde que você compre pensando nele pelo que ele é de verdade: um portátil de entrada, pra rodar clássicos 2D, GBA, arcades e a maioria dos jogos de PS1(zerei resident evil 1, 2 perfeitamente nele). Nessa faixa, entre R$ 180 e R$ 260, ele é uma compra honesta e divertida. Agora, se o preço passar de R$ 350, já não vale mais a pena, tem coisa bem melhor entrando nessa faixa de preço.
Como ele roda os jogos?
montei uma tabelinha para esclarecer qual nível de qualidade se esperar em cada console:
| Console | Ano | Nota |
|---|---|---|
| Atari 2600 | 1977 | 10 |
| NES | 1983 | 10 |
| Master System | 1985 | 10 |
| Game Boy | 1989 | 10 |
| Mega Drive | 1988 | 9.5 |
| SNES | 1990 | 9.5 |
| Game Boy Color | 1998 | 10 |
| Neo Geo / Arcade | 1990 | 9 |
| Game Boy Advance | 2001 | 9.5 |
| PlayStation 1 | 1994 | 6.5 |
| Nintendo 64 | 1996 | 3 |
| PSP | 2004 | 2.5 |
| Dreamcast | 1998 | 2 |
| Nintendo DS | 2004 | 1 |
| PlayStation 2 | 2000 | 0 |
| GameCube | 2001 | 0 |
Pra quem é
Ideal para quem quer começar no mundo dos portáteis retrô sem gastar muito, pra quem quer presentear uma criança com um primeiro videogame cheio de jogos, ou pra quem curte especificamente arcade, luta e clássicos de 8 e 16 bits. Também faz sentido pra quem gosta de mexer em firmware alternativo e quer um aparelho barato pra brincar de customizar. (o sistema original dele é péssimo, todo "CAPADO")
Não é a melhor escolha(seria péssima escolha) pra quem quer jogar PSP, Nintendo 64 ou Dreamcast de forma séria, pra quem precisa de WiFi, Bluetooth ou saída de vídeo, e pra quem não topa abrir mão de uma bateria que aguente o dia inteiro, já que a bateria dele é terrivelmente ruim.
Prós
- Botões e D-pad acima da média pra faixa de preço, surpreendentemente firmes e precisos
- Formato horizontal confortável, pegada boa pra sessões de clássicos e a tela fica numa posição bacaninha
- Roda sem engasgo tudo que é 2D clássico, GBA, Mega Drive, SNES, Neo Geo e a maior parte do PS1
- Plug-and-play real, já vem com o cartão abarrotado de jogos e interface simples de navegar até mesmo pra crianças
- Carregamento via USB-C, coisa rara nessa faixa de preço
Contras
- Bateria curta, na prática aguenta entre 2 e 2h30 de uso, o que é muito pouco
- Tela de resolução baixa (480x272) e sem laminação, lavando rápido no sol e deixando jogos em 4:3 com imagem esticada
- Som mono, de alto-falante fraco, praticamente exige fone pra uma experiência minimamente decente
- Firmware original é ruim demais, sem menu de configurações, sem remapear botões, sem atalhos
- Marketing enganoso é de lei: anúncios falam em 2GB de RAM, saída HDMI e emulação de PS2, e nada disso existe
- Não tem WiFi, Bluetooth nem saída de vídeo, apesar de muitos anúncios afirmarem o contrário
- PSP, N64 e Dreamcast patinam feio, mesmo nos jogos mais simples

Comparação
Comparado ao Anbernic RG35XX, o M17 Pro perde em praticamente tudo que é técnico: tela, bateria, construção e suporte de firmware alternativo são superiores no Anbernic. O que salva o M17 Pro nessa disputa é só o preço, já que ele costuma custar de R$ 200 a R$ 300 a menos. Se o orçamento permitir o upgrade, o RG35XX é a escolha mais madura.
Contra o Miyoo Mini Plus, a situação é parecida. O Miyoo tem tela melhor, comunidade gigante em torno do OnionOS e acabamento mais refinado. O M17 Pro só ganha em dois pontos: ser bem mais barato e ter dois analógicos, que o Miyoo não tem. Pra quem joga muito arcade e luta, o segundo analógico faz pouca diferença, então o Miyoo continua sendo a opção mais equilibrada pra quem pode pagar um pouco mais.

Conclusão
O M17 Pro é um aparelho honesto preso em um marketing enganoso e mal feito(principalmente aqui no BR). Ele entrega exatamente o que um chip básico de R$ 250 consegue entregar, nem mais, nem menos. Se você comprar sabendo que vai jogar clássicos 2D, GBA e PS1 leve, ele cumpre o combinado e ainda diverte bastante.
Se estiver buscando algo pra rodar PSP de verdade, jogar em viagens longas ou subir o nível da experiência, o caminho é pular essa faixa e ir direto pra um Anbernic RG35XX ou Miyoo Mini Plus. O M17 Pro é compra certa pelo preço certo, e compra furada se o vendedor tentar cobrar mais do que ele realmente vale.
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